À medida que percorremos as ruas da cidade, poderá o digital trazer uma universalidade de aplicação informativa ao espaço global? Fará sentido abordar a cidade como um plano onde a informação é aplicada?
“O museu, em vez de estar circunscrito como lugar geométrico, está agora em toda a parte, como uma dimensão da vida.” [1]
Esta noção de globalidade, não no conceito de aldeia global [2], mas na medida em que deixam de existir barreiras que prendam a cultura e que permitam que possa estar em todo o lado, presente no dia-a-dia, parece interessante de explorar. A nova percepção assim parece exigir.
“Os efeitos da tecnologia não ocorrem ao nível das opiniões ou dos conceitos; o que eles fazem é alterar, de um modo contínuo e irreversível, os ritmos sensoriais ou os padrões de percepção.” [3]
Neste contexto, a noção de folha pode e deve ser explorada e o médium pode e deve ser trabalhado (McLuhan), pois invariavelmente molda a percepção do utilizador do serviço. Mas do outro lado, já no universo da experiência, pode ser sempre repensada as margens da folha. Podendo esta folha ser uma parede, tecto, um objecto ou a uma estrada.
“Nós estamos tão entorpecidos pelo nosso novo mundo eléctrico como um nativo imerso na nossa cultura letrada e mecanicista.” [4]
Esta afirmação de McLuhan é hoje mais verdade do que nunca, onde a dependência dos novos meios electrónicos absorvem a atenção das pessoas no seu dia-a-dia. Existem assim necessidades constantes a serem satisfeitas.
“A revolução que começou é, antes de mais, uma revolução de suportes e de formas que transmitem a escrita.” [5]
Na vanguarda desta revolução do suporte está por exemplo o projecto do Google Glass,
onde a aplicação de texto, imagem e vídeo se fazem em cima do mundo real que estamos a olhar e a percorrer nas ruas da cidade. A possibilidade de aplicação de informação virtual ao espaço real será possível, mas para tal é necessário que preencha uma necessidade, que crie uma, que surpreenda, que seja jogável.
O trabalho da artista Jenny Holzer é uma referência na instalação de texto no espaço público em termos conceptuais e de experimentação: