A quantidade de gadgets e de aplicações móveis está a fazer com que as imagens tenham cada vez um papel mais presente no nosso dia-a-dia. Com as tabelas de venda destes equipamentos em crescendo contínuo, o que estava outrora reservado a “momentos”, quando liamos o jornal, víamos televisão ou visitávamos um local com uma máquina fotográfica na mão, deixou de o ser.
Hoje, nos nossos bolsos, habitam equipamentos que mantêm essa capacidade sempre presente. Neste sentido, torna-se necessário analisar a imagem, entendê-la, para a podermos correlacionar.
“Certainly the image is not the reality but at least it is its perfect analogon and it is exactly this analogical perfection which, to common sense, defines the photograph. (…) it is a message without a code; (…) the photographic message is a continuous message.” [1]
Esta primeira análise de Barthes sobre a fotografia deixa-nos próximo de perceber como a imagem toma um lugar de destaque. No seu lado representativo, a imagem é imediata e não carece de descodificação. Orientamo-nos por ela, reconhecemos locais, pessoas e até acontecimentos. Este é uma das razões do seu fascínio.
Barthes afirma que a imagem tem o poder se ser denotativa e ser conotativa, afirmando ser esse o paradoxo da fotografia [2]. Há um lado da imagem que carece de interpretação e portanto de explicação adicional. Serve este caracter de dualidade da imagem para justificar a presença do texto. Referindo-se ao texto, Barthes afirma: “(…) this is an important historical reversal, the image no longer illustrates the words; it is now the words which, structurally, are parasitic on the image” [3].
Esta ligação entre a imagem e o texto constata a transformação visual em curso. Parece hoje difícil de nos abstrairmos dela, está sempre presente. Neste mundo visual cabe ao texto contemplar a imagem, explicando-a e acrescentado valor à narrativa, contado o resto da história que vai para além.
Nesta relação podemos até imaginar uma situação, quase absurda mas bem real, em que numa visita a um local histórico, onde temos as obras de arte (as imagens), nos podemos fazer acompanhar com uma explicação escrita, impressa, sobre a história de cada peça. A esta peça acrescentamos ainda a presença do som, no formato áudio-guia, que nos vai encenando os acontecimentos. A esta visita acrescentamos ainda a presença do vídeo que passa nos ecrãs, que por si só contém todos os ingredientes anteriores e ainda uma sinalética que nos vai indicando o caminho, de acordo com o mapa que temos na mão. Ao acordarmos deste “pesadelo” vemos que tudo isto agora está na palma da nossa mão.