A massificação e a evolução constante e actual dos vários meios digitais de comunicaçáo estáo gradualmente a modificar a estrutura da informação, a maneira como chega ao leitor
e a motivar uma acção constante deste perante a primeira.
"To read is to choose and follow one path from among those suggested by the layout of the text." [1]
Desde a antiguidade que o suporte determina a forma como o leitor adquire a informação. Seja de uma forma estritamente linear, através de rolos de papiro, ou de uma forma estruturada em páginas com o aparecimento do livro. A linearidade da escrita e da leitura chega até aos dias de hoje, presente no ensino e na literatura, entre outros.
Mas esta forma linear de estruturação tem, segundo Bolter, vindo a ser posta em causa ao longo dos tempos. Quer seja pela hipótese dada pelo livro ao leitor, de saltar entre páginas ou capítulos, quer seja através de exercícios experimentais como o "clássico 'S/Z' de Roland Barthes": [2].
Extraído de ebookbrowse.com
Este caminho sugerido pelo layout é também possível de aplicar a uma página de internet, onde, à primeira vista existe também uma certa linearidade. Mas, através da existência da rede e do hipertexto, ligamos partes do nosso conteúdo a outros conteúdos. Deste modo, o layout do texto coloca nas mãos do leitor a decisão do caminho a seguir.
Hypertext Book Sculpture by Stephen Doyle
Embora esta rede tenha sempre existido, "(...) Homeric oral poetry shows that the network is older than writing itself." [3], escondida entre as linhas dos textos relacionando assuntos préviamente adquiridos pelo leitor, a Internet veio torná-la visível ao possibilitar a ligação entre conteúdos, de várias autorias e opiniões, através do clique do rato ou toque de um dedo.
A utilização de ligações nos conteúdos disponibilizados na Internet vai muito para além do texto, interligando imagens, sons e vídeos entre si, possibilitando a contribuição de discurso oral, ou de explicações em formato vídeo que possibilitem uma melhor compreensão do que está escrito. Tal permite ao leitor escolher por um conhecimento dos assuntos mais imediato através de uma imagem, mais superficial através de um vídeo ou mais aprofundado através de um texto explicativo. Acabando por encontrar uma linearidade que lhe sirva, através da não linearidade proporcionada pelo hipertexto [4].